O primeiro caminho de voltar.

O encontro do verde com cultura, a heterogeneidade de pessoas, de cores, de sabores gelados para dias quentes e frios, o café e o copo com água, com ou sem açúcar. Rostos portugueses e do mundo, memórias da água onde nadam patos a fugir de crianças, crianças que fogem dos dultos, adultos que fogem à rotina e aproveitam a folga. Jovens que estudam no café e sentem o frio na cara, o frio dos vinte anos e da vida que têm à frente. Jovens adultos que crescem e escrevem sobre as crianças a brincar no jardim, outrora elas. Adultos que observam de longe e lembram-se de estudar naquele café de esquina, onde outrora compraram gelados. Caminham pelo relvado, onde outrora faziam piqueniques a dois. Crianças jovens adultos que aproveitam a Luz de Lisboa. O frio na cara, o sol que disfarça, a sombra que gela, o desenho que pinta, as palavras que acabam por sair como poesia em prosa, e a música que entra nos ouvidos. O som das conversas alheias, a gargalhada das crianças felizes, a fuga à cidade dentro da cidade, o nexo sem nexo com nexo, a troca de olhares indiscretamente discreta, o sol a partir e o frio a fazer-se notar. A lua no céu a aparecer, a primeira estrela da noite antecipada.

O levantar-me, e caminhar.
Gulbenkian, um caminho de ir, um caminho de voltar.

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